NIGERIANO RELATA TER FUGIDO DA ÁFRICA DO SUL APÓS TRÊS ATAQUES XENÓFOBOS E DEIXAR AS FILHAS PARA TRÁS

Após cerca de dez anos na África do Sul, Okafor Ugochukwu regressou à Nigéria e pede apoio para reconstruir a vida, enquanto as suas duas filhas permanecem em território sul-africano.

Abuja, Nigéria, 14 de julho de 2026

Um cidadão nigeriano que regressou recentemente ao seu país afirmou ter abandonado a África do Sul depois de sobreviver a três ataques xenófobos que, segundo relata, destruíram os seus negócios, incendiaram a sua residência e o deixaram sem meios de subsistência.
Em entrevista à imprensa nigeriana, Okafor Ugochukwu, natural do estado de Anambra, contou que deixou a Nigéria em 2014 em busca de melhores oportunidades económicas. Após passar pela Tanzânia e Moçambique, estabeleceu-se em Joanesburgo, onde criou uma boutique de venda de vestuário e, posteriormente, outro negócio dedicado à comercialização de acessórios.

Segundo o empresário, os seus planos foram interrompidos em 2018, quando o primeiro ataque xenófobo destruiu a sua loja. Com ajuda de familiares, conseguiu reerguer-se e abrir um novo estabelecimento comercial. No entanto, afirma que uma nova vaga de violência voltou a destruir o seu negócio.

O terceiro episódio, descreve, foi o mais grave. Ugochukwu afirma que homens atacaram a sua residência, incendiaram a casa e obrigaram-no a fugir para salvar a própria vida.

"Perdi tudo. Não tive outra opção senão fugir, porque a minha vida era mais importante", declarou.

O empresário revelou ainda que deixou para trás as suas duas filhas, situação que considera o momento mais doloroso de toda a experiência.

Após escapar dos ataques, procurou proteção junto do Consulado da Nigéria em Pretória, onde permaneceu até ser organizado o seu regresso ao país.

Ugochukwu agradeceu ao Governo nigeriano pelo apoio prestado durante o processo de repatriamento e manifestou esperança de reconstruir a sua vida. Na entrevista, afirmou que muitos estrangeiros enfrentam dificuldades na África do Sul devido à perceção de que são responsáveis pelo desemprego e pela criminalidade, rejeitando igualmente os estereótipos que associam cidadãos nigerianos a atividades ilícitas.

O empresário apelou ainda ao Governo da Nigéria para criar mecanismos de apoio destinados aos cidadãos que regressam ao país após perderem os seus bens em episódios de violência no estrangeiro.

Por:Samuel Omotere

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