CAÍTO TEIXEIRA REFORÇA POSIÇÃO NA FFGB APÓS MOÇÃO DE CONFIANÇA APROVADA POR AMPLA MAIORIA

Votação deste sábado deu 44 votos favoráveis, um contra e duas abstenções à continuidade do presidente da FFGB. Adilé Sebastião, antigo candidato à presidência, tem sido uma das principais vozes críticas à atual direção.

Bissau, 22 de agosto de 2026

Os clubes e associações filiados na Federação de Futebol da Guiné-Bissau (FFGB) aprovaram, este sábado, uma moção de confiança ao presidente Carlos Alberto Mendes Teixeira, conhecido por “Caíto Teixeira”, durante o Congresso Ordinário da instituição.
Dos congressistas presentes, 44 votaram a favor, um contra e dois abstiveram-se, resultado que representa uma ampla maioria favorável à continuidade da atual direção.

A votação acontece, contudo, num contexto marcado por fortes divergências internas e críticas à gestão da Federação, particularmente protagonizadas pelo dirigente desportivo Adilé Sebastião Domingos, antigo candidato à presidência da FFGB.

A aprovação da moção constitui um sinal formal de apoio dos delegados presentes ao atual presidente. A estrutura da FFGB tem defendido que a direção vem trabalhando para desenvolver o futebol nacional, enquanto os setores críticos continuam a questionar aspetos da governação da instituição.
A relação entre Adilé e a atual liderança, entretanto, sofreu uma transformação significativa nos últimos anos. Antes aliado de Caíto Teixeira, Adilé acabou por apresentar uma candidatura própria nas eleições de 2024, sob o projeto KABI24, mas a sua lista foi rejeitada pela Comissão Eleitoral por alegadas irregularidades estatutárias. Adilé contestou a decisão e anunciou recurso para as instâncias competentes.

Durante o processo eleitoral de 2024, Adilé Sebastião acusou a estrutura eleitoral da FFGB de irregularidades e defendeu que a sua candidatura deveria ser admitida.
Na altura, chegou a afirmar que pretendia recorrer para o Conselho de Recursos da Federação e, caso necessário, para o Tribunal Arbitral do Desporto e outras instâncias.

O processo terminou com a reeleição de Carlos Alberto Mendes Teixeira para um segundo mandato, com 36 votos entre os 42 delegados que votaram. O candidato Dembó Sissé desistiu antes da votação, deixando Caíto como candidato único.

O congresso ficou marcado por contestação de Adilé e dos seus apoiantes, tendo o dirigente denunciado alegadas irregularidades e afirmado que pretendia apresentar provas relacionadas com a gestão da Federação perante representantes da FIFA e da CAF presentes no congresso.

As divergências não terminaram com as eleições. Em dezembro de 2024, a Comissão de Governança da FFGB anunciou a suspensão de Adilé Sebastião e de outros dirigentes por um período de dez anos, decisão que foi apresentada pela Federação como consequência de comportamentos considerados incompatíveis com as normas estatutárias.

Em setembro de 2025, informações divulgadas pela imprensa desportiva deram conta de uma decisão de afastamento definitivo de Adilé e Abdu Mané dos assuntos do futebol nacional. O episódio esteve relacionado com o processo de contestação da liderança de Caíto Teixeira.
Mais recentemente, em março de 2026, o próprio Caíto Teixeira denunciou publicamente a existência de um alegado plano contra a sua pessoa e apontou vários nomes do futebol nacional, entre eles Adilé Sebastião. As acusações foram apresentadas pelo presidente da FFGB sem que, na fonte consultada, tenham sido apresentadas provas públicas que as sustentassem.

A atual direção enfrenta ainda discussões sobre a governação e o funcionamento institucional da Federação. Em agosto de 2026, a FFGB apresentou uma proposta de revisão dos seus estatutos, a ser apreciada pelo Congresso Ordinário.
Segundo informações publicadas sobre o congresso, a revisão surge num contexto de controvérsia em torno da gestão da instituição. A mesma informação refere que Caíto Teixeira e o vice-presidente Celestino Gonçalves são mencionados num processo sob investigação do Ministério Público relacionado com alegações de desvio de fundos — alegações que devem ser tratadas como não provadas enquanto não houver decisão judicial definitiva.

Com 44 votos favoráveis, um contra e duas abstenções, a moção de confiança demonstra que, entre os delegados presentes no Congresso, existe atualmente uma maioria expressiva favorável à continuidade de Caíto Teixeira.
O resultado, porém, não elimina o histórico de conflitos que marcou a direção do futebol guineense nos últimos anos.

A trajetória recente da FFGB revela uma instituição dividida entre a defesa da continuidade da atual liderança e setores que reivindicam mudanças na gestão, transparência e funcionamento dos seus órgãos.

Assim, a votação deste sábado representa uma vitória política para Caíto Teixeira, mas também coloca novamente em evidência o debate sobre o futuro da governação do futebol guineense.

Redação: JornalBetegb

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