ACEP E LGDH CONCLUEM CICLO NACIONAL DE FORMAÇÕES EM DIREITOS HUMANOS QUE ABRANGEU MAIS DE 400 ATIVISTAS

A ACEP e a Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH) concluíram, em Bolama, um amplo ciclo nacional de formações em Direitos Humanos dirigido a ativistas e membros de organizações da sociedade civil (OSC), beneficiando mais de 400 participantes e alcançando mais de 100 organizações em todo o território nacional.
Com duração de dois dias em cada região, a iniciativa envolveu participantes provenientes de diferentes pontos do país, dos quais mais de 40% eram mulheres e raparigas e 56% jovens.

Bolama, 21 de junho de 2026

O programa teve como principal objetivo reforçar os conhecimentos e as capacidades práticas dos participantes em matérias relacionadas com os direitos humanos, o ativismo cívico, a monitorização e documentação de violações de direitos, bem como os mecanismos de proteção, apoio e denúncia existentes na Guiné-Bissau.

Durante as sessões de formação, os participantes aprofundaram conhecimentos sobre os fundamentos dos direitos humanos, técnicas de monitorização e documentação de violações, mecanismos de proteção das vítimas e instrumentos nacionais e internacionais de promoção e defesa dos direitos humanos.
A iniciativa procurou igualmente fortalecer o papel dos defensores dos direitos humanos e das organizações da sociedade civil na promoção da justiça, da cidadania ativa, da participação democrática e da boa governação.

O ciclo de formação integra um programa nacional de capacitação destinado a tornar os ativistas e as organizações da sociedade civil mais preparados para promover, proteger e defender os direitos humanos em todo o país.

A ação foi implementada pela ACEP e pela LGDH com financiamento da União Europeia, no âmbito de um contrato de prestação de serviços celebrado em 2025.

Paralelamente às formações, foram realizados Djumbais em todas as regiões abrangidas pelo programa, com o objetivo de sensibilizar e capacitar as comunidades locais sobre direitos humanos, justiça, segurança e participação cívica, considerados pilares fundamentais para a consolidação do Estado de Direito democrático na Guiné-Bissau.
Os espaços de diálogo envolveram mais de 500 participantes, incluindo líderes comunitários e tradicionais, mulheres, associações femininas, jovens, organizações juvenis, estudantes, professores, administradores escolares, pessoas com deficiência e membros da comunidade em geral.

Em declarações à imprensa, o Presidente da LGDH, Bubacar Turé, fez um balanço positivo da iniciativa, destacando o elevado nível de participação e o reforço das capacidades dos ativistas em matéria de direitos humanos. O responsável agradeceu igualmente à União Europeia pelo apoio prestado à ACEP e à LGDH para a implementação do programa.

Na ocasião, Bubacar Turé aproveitou para alertar sobre a situação do acesso à justiça no Arquipélago dos Bijagós, afirmando que milhares de cidadãos continuam sem acesso efetivo aos serviços judiciais devido à falta de funcionamento dos tribunais de Bubaque e Bolama.
Segundo o presidente da LGDH, o Tribunal de Setor de Bubaque, inaugurado em 2018 com apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), continua sem funcionar devido à ausência de magistrados e funcionários judiciais.

Perante esta realidade, apelou às autoridades para adotarem medidas urgentes que permitam a operacionalização dos tribunais de Bubaque e Bolama, garantindo às populações o pleno acesso à justiça.

A organização considera que a forte participação registada ao longo do programa demonstra o crescente compromisso dos cidadãos com a promoção dos direitos humanos, da justiça social, da boa governação e do fortalecimento da democracia na Guiné-Bissau.

JornalBetegb

Post a Comment

Postagem Anterior Próxima Postagem