GUINÉ-BISSAU CONSOLIDA DIVERSIDADE RELIGIOSA COM ISLAMISMO, CRISTIANISMO E CRENÇAS TRADICIONAIS

Dados do Instituto Nacional de Estatística revelam a evolução do panorama religioso no país, marcado pelo pluralismo, sincretismo e pela convivência pacífica entre diferentes confissões.

Bissau, 29 de junho de 2026

A Guiné-Bissau continua a afirmar-se como um dos países com maior diversidade religiosa da África Ocidental, caracterizando-se pela convivência entre o islamismo, o cristianismo e as religiões tradicionais africanas, num contexto de Estado laico e de liberdade de culto garantida pela Constituição.

De acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), atualmente 46,1% da população declara-se muçulmana, 30,6% pratica crenças tradicionais africanas e 18,9% identifica-se como cristã. Os restantes 4,4% correspondem a cidadãos sem religião ou pertencentes a outras confissões religiosas.

Entre os muçulmanos, a maioria segue o rito sunita maliquita, enquanto uma pequena percentagem, estimada em cerca de 2%, integra a comunidade amadita. No universo cristão, os católicos representam aproximadamente 17,6% da população nacional, correspondendo a cerca de 270 mil fiéis.
Os dados estatísticos mostram igualmente uma transformação gradual da composição religiosa do país ao longo das últimas décadas. Segundo os censos nacionais, em 1979 cerca de 60% da população seguia religiões tradicionais africanas, 35% era muçulmana e apenas 5% se declarava cristã. zbr>
Trinta anos depois, os resultados do Censo de 2009 revelaram uma alteração significativa deste cenário, com os muçulmanos a representarem 45% da população, os cristãos 22% e os seguidores das religiões tradicionais cerca de 15%, refletindo uma evolução do panorama religioso nacional.

Apesar da diversidade de crenças, a prática religiosa na Guiné-Bissau é frequentemente marcada pelo sincretismo, fenómeno através do qual muitos cidadãos conciliam os ensinamentos do islamismo ou do cristianismo com rituais e tradições ancestrais ligados aos antepassados, à natureza e às práticas culturais locais.

A Constituição da República consagra a separação entre o Estado e as instituições religiosas, assegurando a liberdade de consciência, de religião e de culto para todos os cidadãos. Este princípio tem contribuído para a manutenção de um ambiente de convivência pacífica entre as diferentes comunidades religiosas, apesar de alguns desafios pontuais registados nos últimos anos.

Outro dado que distingue a Guiné-Bissau no contexto da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) é o peso atribuído à religião na vida quotidiana. Estudos indicam que apenas 48% dos guineenses consideram a religião "muito importante" nas suas vidas, a percentagem mais baixa entre os países da sub-região.

A diversidade religiosa e a convivência entre diferentes tradições continuam a constituir uma das principais características da identidade cultural guineense, refletindo a riqueza histórica e social do país.

Fontes: Instituto Nacional de Estatística – Censos de 1979 e 2009.

JornalBetegb

Post a Comment

Postagem Anterior Próxima Postagem