DOMINGOS SIMÕES PEREIRA CONDUZIDO ÀS CELAS DA SEGUNDA ESQUADRA PARA CUMPRIR PRISÃO PREVENTIVA

Líder do PAIGC foi detido após decisão do Tribunal Militar Superior. Defesa boicotou a audiência e denuncia alegadas irregularidades no processo.

Bissau, 10 de julho de 2026

O presidente do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) e presidente da Assembleia Nacional Popular, Domingos Simões Pereira (DSP), foi conduzido esta sexta-feira às celas da Segunda Esquadra da Polícia de Ordem Pública (POP), em Bissau, para cumprir a medida de prisão preventiva decretada pelo juiz Mamadu Embaló, no âmbito do Processo n.º 1/2025.
Segundo informações apuradas pela Capital FM (CFM) junto de uma fonte do Ministério do Interior, Domingos Simões Pereira já se encontra nas instalações da Segunda Esquadra, anexa àquele departamento governamental.

Antes de ser encaminhado para a unidade policial, DSP foi conduzido ao Tribunal Militar Superior, onde tomou conhecimento da decisão judicial que determinou a aplicação da medida de prisão preventiva.

Esta é a segunda vez que Domingos Simões Pereira é colocado sob detenção no âmbito deste processo. O líder do PAIGC já havia permanecido privado da liberdade durante mais de 60 dias, entre novembro de 2025 e janeiro de 2026.

Defesa boicota audiência
Os advogados de Domingos Simões Pereira decidiram não comparecer à audiência realizada no Tribunal Militar Superior.

Segundo a equipa de defesa, a decisão de boicotar a sessão foi tomada por entender que o processo está a ser conduzido à margem da lei e que o coletivo de advogados não foi oficialmente notificado da comparência do seu constituinte perante o juiz, alegando violação das garantias processuais.

A defesa tem sustentado, desde o início do processo, que o Tribunal Militar Superior não possui competência para julgar um dirigente político civil, defendendo que o caso deve ser apreciado pelos tribunais comuns.

A decisão de decretar a prisão preventiva de Domingos Simões Pereira surge num contexto de forte tensão política na Guiné-Bissau.

Nas últimas horas, o PAIGC aprovou uma deliberação exigindo a libertação imediata do seu presidente e denunciando aquilo que considera ser uma perseguição política e judicial contra o dirigente.

Também o presidente do PRS, Fernando Dias, apelou à suspensão do processo, enquanto familiares de Domingos Simões Pereira manifestaram preocupação com a evolução do caso e representantes internacionais acompanharam os mais recentes desenvolvimentos.

Até ao momento, o Tribunal Militar Superior não divulgou os fundamentos detalhados da decisão que determinou a prisão preventiva, nem o Ministério Público Militar emitiu qualquer comunicado adicional sobre o processo.

O JornalBetegb continuará a acompanhar o caso e divulgará novas informações à medida que forem oficialmente confirmadas.

JornalBetegb

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