PRIMEIRO-MINISTRO DE TRANSIÇÃO ABORDA, EM ENTREVISTA À FORBES ÁFRICA LUSÓFONA, A SITUAÇÃO ECONÓMICA, A TRANSIÇÃO POLÍTICA, O PPG, AS ELEIÇÕES DE DEZEMBRO E A SUA RELAÇÃO COM O EX-PRESIDENTE ÚMARO SISSoco EMBALÓ
O primeiro-ministro de transição e ministro das Finanças da Guiné-Bissau, Ilídio Vieira Té, defende que o país deve concluir o atual período de transição através de eleições e avançar para um novo ciclo de estabilidade institucional. Numa entrevista exclusiva concedida à Forbes África Lusófona, publicada a 16 de setembro de 2026, o governante abordou os principais desafios políticos, económicos e institucionais do país, além da criação do Partido Popular Guineense (PPG).
Ao falar sobre a sua entrada na política e o percurso dentro do Partido da Renovação Social (PRS), Ilídio Vieira Té afirmou que a sua participação política nasceu da convicção de que a política deve servir como instrumento de transformação da sociedade. Considerou o PRS uma “escola política” onde aprendeu a trabalhar em equipa, respeitar estruturas e conhecer melhor a realidade guineense.
Sobre a sua chegada à chefia do Governo, na sequência da rutura da ordem constitucional em novembro de 2025, o primeiro-ministro explicou que aceitou a responsabilidade por considerar que o Estado não podia parar. Segundo afirmou, era necessário garantir o funcionamento dos serviços públicos, o pagamento dos salários, o cumprimento dos compromissos financeiros internacionais e a manutenção das relações com os parceiros externos. Sublinhou ainda que a transição só terá sentido se conduzir ao regresso da plena legitimidade democrática através de eleições.
RELAÇÃO COM ÚMARO SISSOCO EMBALÓ
Questionado sobre a sua anterior proximidade política com o ex-Presidente Úmaro Sissoco Embaló, Ilídio Vieira Té reconheceu que trabalhou em governos durante a sua Presidência e que existiu confiança política e institucional entre ambos. No entanto, afirmou que a sua atual responsabilidade enquanto primeiro-ministro de transição não está subordinada ao antigo Presidente, a qualquer partido ou grupo político.
O governante afirmou igualmente que mantém respeito pelo antigo Presidente, mas defendeu a necessidade de distinguir relações pessoais e políticas passadas da autonomia necessária para tomar decisões enquanto chefe do Governo.
Na área económica, Ilídio Vieira Té afirmou que a economia guineense apresenta sinais de resiliência e que o Governo conseguiu reforçar a disciplina orçamental e melhorar a gestão da tesouraria. Segundo os dados apresentados na entrevista, a dívida pública teria passado de 89% para 74%, aproximando o país dos critérios de convergência da UEMOA. Ao mesmo tempo, reconheceu que persistem problemas estruturais, como a reduzida base fiscal, a informalidade, a baixa produtividade e a forte dependência da campanha de castanha de caju.
Para o primeiro-ministro, a solução passa por diversificar a economia sem abandonar o setor do caju. Defendeu maior transformação local, embalagem e comercialização internacional, além do desenvolvimento da agricultura, pescas, turismo, pecuária, energia e economia digital. Considerou também o Arquipélago dos Bijagós um dos grandes potenciais do país para o turismo ecológico.
Ilídio Vieira Té apontou ainda a previsibilidade das regras, a modernização das Alfândegas, a justiça económica, o acesso à energia e a melhoria das infraestruturas como condições importantes para aumentar a confiança dos investidores nacionais e estrangeiros.
REFORMA DO ESTADO E JUVENTUDE
Sobre a Administração Pública, o primeiro-ministro defendeu uma reforma baseada no cadastro dos funcionários, digitalização dos processos, formação contínua, avaliação, mobilidade e valorização do mérito. Na sua visão, a reforma do Estado não deve ser confundida com perseguição aos funcionários públicos, mas com a criação de uma administração mais eficiente e responsável perante os cidadãos.
Para a juventude, apontou a necessidade de reduzir a dependência do emprego público através da formação técnico-profissional, empreendedorismo, acesso ao crédito e preparação para setores como agricultura moderna, transformação alimentar, turismo, energias renováveis, telecomunicações e economia digital.
NOVO MODELO INSTITUCIONAL
Ilídio Vieira Té também defendeu uma clarificação das competências entre o Presidente da República, o Governo e o Parlamento. Argumentou que parte das crises políticas da Guiné-Bissau resulta de conflitos de legitimidade e de interpretação entre instituições. Na sua perspetiva, maiores competências presidenciais devem ser acompanhadas por mecanismos de controlo democrático e responsabilização.
O primeiro-ministro destacou, nesse contexto, a importância de um Parlamento funcional, tribunais independentes, administração eleitoral credível, comunicação social livre, sociedade civil vigilante e eleições regulares.
PPG E O FUTURO POLÍTICO
Sobre a criação do Partido Popular Guineense (PPG), Ilídio Vieira Té afirmou que a nova formação pretende apostar na competência, responsabilidade, justiça social, modernização económica e proximidade com os cidadãos. Segundo o governante, o partido pretende colocar no centro do debate questões como educação, agricultura, emprego, saúde, energia, estradas e transformação digital.
Questionado sobre a possibilidade de utilizar o cargo de primeiro-ministro para construir uma estrutura partidária, garantiu que pretende manter uma separação entre as funções governamentais e a atividade partidária, defendendo que os recursos públicos não devem ser utilizados para fins políticos.
Quanto a uma eventual candidatura à Presidência da República, Ilídio Vieira Té afirmou que a criação do PPG não deve ser reduzida à candidatura de uma única pessoa. Disse estar disponível para servir o país onde considerar que pode ser útil, mas afirmou que qualquer decisão sobre uma candidatura presidencial será tomada formalmente e no momento próprio.
ELEIÇÕES DE DEZEMBRO
Sobre as eleições previstas para dezembro, o primeiro-ministro declarou esperar um processo pacífico, competitivo, inclusivo, transparente e credível. Defendeu uma administração eleitoral preparada e independente, igualdade de tratamento entre os concorrentes, liberdade de campanha, acesso equilibrado aos meios de comunicação, neutralidade das instituições e mecanismos eficazes para resolver eventuais contenciosos eleitorais.
NÃO HAVERÁ PRESIDENTES OCULTOS
A questão da relação entre o PPG e Úmaro Sissoco Embaló foi uma das partes centrais da entrevista. Confrontado com especulações de que o antigo Presidente poderia estar por detrás da criação do partido, Ilídio Vieira Té rejeitou essa possibilidade e afirmou que a proximidade política passada não significa propriedade política presente.
O primeiro-ministro declarou que o PPG não foi criado para servir de instrumento ou extensão de qualquer personalidade política e defendeu que um partido deve apresentar publicamente os seus dirigentes, ideias e estruturas de decisão. Foi neste contexto que afirmou que não haverá presidentes ocultos nem centros de decisão paralelos.
Sobre o futuro político de Úmaro Sissoco Embaló, Ilídio Vieira Té afirmou que essa decisão cabe ao próprio ex-Presidente e reiterou que o PPG pretende construir uma identidade própria, podendo estabelecer alianças com base em princípios, programas e interesses nacionais.
No final da entrevista, Ilídio Vieira Té afirmou que pretende contribuir para que a Guiné-Bissau passe da gestão permanente das crises para a construção do futuro. Defendeu a conclusão da transição com paz, estabilidade, contas públicas organizadas, instituições funcionais e eleições credíveis, apresentando esses objetivos como parte do que considera ser um serviço à Guiné-Bissau.
JornalBetegb
Fonte: Forbes África Lusófona, entrevista de Kadidja Pinto Monteiro, publicada em 16 de setembro de 2026.
Ao falar sobre a sua entrada na política e o percurso dentro do Partido da Renovação Social (PRS), Ilídio Vieira Té afirmou que a sua participação política nasceu da convicção de que a política deve servir como instrumento de transformação da sociedade. Considerou o PRS uma “escola política” onde aprendeu a trabalhar em equipa, respeitar estruturas e conhecer melhor a realidade guineense.
Sobre a sua chegada à chefia do Governo, na sequência da rutura da ordem constitucional em novembro de 2025, o primeiro-ministro explicou que aceitou a responsabilidade por considerar que o Estado não podia parar. Segundo afirmou, era necessário garantir o funcionamento dos serviços públicos, o pagamento dos salários, o cumprimento dos compromissos financeiros internacionais e a manutenção das relações com os parceiros externos. Sublinhou ainda que a transição só terá sentido se conduzir ao regresso da plena legitimidade democrática através de eleições.
RELAÇÃO COM ÚMARO SISSOCO EMBALÓ
Questionado sobre a sua anterior proximidade política com o ex-Presidente Úmaro Sissoco Embaló, Ilídio Vieira Té reconheceu que trabalhou em governos durante a sua Presidência e que existiu confiança política e institucional entre ambos. No entanto, afirmou que a sua atual responsabilidade enquanto primeiro-ministro de transição não está subordinada ao antigo Presidente, a qualquer partido ou grupo político.
O governante afirmou igualmente que mantém respeito pelo antigo Presidente, mas defendeu a necessidade de distinguir relações pessoais e políticas passadas da autonomia necessária para tomar decisões enquanto chefe do Governo.
Na área económica, Ilídio Vieira Té afirmou que a economia guineense apresenta sinais de resiliência e que o Governo conseguiu reforçar a disciplina orçamental e melhorar a gestão da tesouraria. Segundo os dados apresentados na entrevista, a dívida pública teria passado de 89% para 74%, aproximando o país dos critérios de convergência da UEMOA. Ao mesmo tempo, reconheceu que persistem problemas estruturais, como a reduzida base fiscal, a informalidade, a baixa produtividade e a forte dependência da campanha de castanha de caju.
Para o primeiro-ministro, a solução passa por diversificar a economia sem abandonar o setor do caju. Defendeu maior transformação local, embalagem e comercialização internacional, além do desenvolvimento da agricultura, pescas, turismo, pecuária, energia e economia digital. Considerou também o Arquipélago dos Bijagós um dos grandes potenciais do país para o turismo ecológico.
Ilídio Vieira Té apontou ainda a previsibilidade das regras, a modernização das Alfândegas, a justiça económica, o acesso à energia e a melhoria das infraestruturas como condições importantes para aumentar a confiança dos investidores nacionais e estrangeiros.
REFORMA DO ESTADO E JUVENTUDE
Sobre a Administração Pública, o primeiro-ministro defendeu uma reforma baseada no cadastro dos funcionários, digitalização dos processos, formação contínua, avaliação, mobilidade e valorização do mérito. Na sua visão, a reforma do Estado não deve ser confundida com perseguição aos funcionários públicos, mas com a criação de uma administração mais eficiente e responsável perante os cidadãos.
Para a juventude, apontou a necessidade de reduzir a dependência do emprego público através da formação técnico-profissional, empreendedorismo, acesso ao crédito e preparação para setores como agricultura moderna, transformação alimentar, turismo, energias renováveis, telecomunicações e economia digital.
NOVO MODELO INSTITUCIONAL
Ilídio Vieira Té também defendeu uma clarificação das competências entre o Presidente da República, o Governo e o Parlamento. Argumentou que parte das crises políticas da Guiné-Bissau resulta de conflitos de legitimidade e de interpretação entre instituições. Na sua perspetiva, maiores competências presidenciais devem ser acompanhadas por mecanismos de controlo democrático e responsabilização.
O primeiro-ministro destacou, nesse contexto, a importância de um Parlamento funcional, tribunais independentes, administração eleitoral credível, comunicação social livre, sociedade civil vigilante e eleições regulares.
PPG E O FUTURO POLÍTICO
Sobre a criação do Partido Popular Guineense (PPG), Ilídio Vieira Té afirmou que a nova formação pretende apostar na competência, responsabilidade, justiça social, modernização económica e proximidade com os cidadãos. Segundo o governante, o partido pretende colocar no centro do debate questões como educação, agricultura, emprego, saúde, energia, estradas e transformação digital.
Questionado sobre a possibilidade de utilizar o cargo de primeiro-ministro para construir uma estrutura partidária, garantiu que pretende manter uma separação entre as funções governamentais e a atividade partidária, defendendo que os recursos públicos não devem ser utilizados para fins políticos.
Quanto a uma eventual candidatura à Presidência da República, Ilídio Vieira Té afirmou que a criação do PPG não deve ser reduzida à candidatura de uma única pessoa. Disse estar disponível para servir o país onde considerar que pode ser útil, mas afirmou que qualquer decisão sobre uma candidatura presidencial será tomada formalmente e no momento próprio.
ELEIÇÕES DE DEZEMBRO
Sobre as eleições previstas para dezembro, o primeiro-ministro declarou esperar um processo pacífico, competitivo, inclusivo, transparente e credível. Defendeu uma administração eleitoral preparada e independente, igualdade de tratamento entre os concorrentes, liberdade de campanha, acesso equilibrado aos meios de comunicação, neutralidade das instituições e mecanismos eficazes para resolver eventuais contenciosos eleitorais.
NÃO HAVERÁ PRESIDENTES OCULTOS
A questão da relação entre o PPG e Úmaro Sissoco Embaló foi uma das partes centrais da entrevista. Confrontado com especulações de que o antigo Presidente poderia estar por detrás da criação do partido, Ilídio Vieira Té rejeitou essa possibilidade e afirmou que a proximidade política passada não significa propriedade política presente.
O primeiro-ministro declarou que o PPG não foi criado para servir de instrumento ou extensão de qualquer personalidade política e defendeu que um partido deve apresentar publicamente os seus dirigentes, ideias e estruturas de decisão. Foi neste contexto que afirmou que não haverá presidentes ocultos nem centros de decisão paralelos.
Sobre o futuro político de Úmaro Sissoco Embaló, Ilídio Vieira Té afirmou que essa decisão cabe ao próprio ex-Presidente e reiterou que o PPG pretende construir uma identidade própria, podendo estabelecer alianças com base em princípios, programas e interesses nacionais.
No final da entrevista, Ilídio Vieira Té afirmou que pretende contribuir para que a Guiné-Bissau passe da gestão permanente das crises para a construção do futuro. Defendeu a conclusão da transição com paz, estabilidade, contas públicas organizadas, instituições funcionais e eleições credíveis, apresentando esses objetivos como parte do que considera ser um serviço à Guiné-Bissau.
JornalBetegb
Fonte: Forbes África Lusófona, entrevista de Kadidja Pinto Monteiro, publicada em 16 de setembro de 2026.

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